Nota da diretora
Duas decisões foram fundamentais para definir esse documentário:
A primeira foi filmar desde o Rio de Janeiro até o sertão da Bahia, em dois carros, em quatro dias de viagem, mostrando o trajeto da Mata Atlântica até a caatinga, como esse Brasil imenso se transforma aos poucos.
A segunda foi a decisão de não fazermos entrevistas formais, irmos registrando as memórias de ex-militantes, entre os quais me incluo, durante o trajeto, através de conversas informais. Nisso, fomos ajudados pelo diretor de fotografia, Dudu Miranda, que criou uma estrutura que permitiu que a câmera trouxesse ao documentário o tom de intimidade que faz o espectador se sentir parte da história.
Para mim, foi uma emoção muito grande reviver essa história e conviver com essas pessoas tão queridas. Nossa memória está aí, sem subterfúgios, para o público. Assim como a surpresa da realidade de hoje, de, em pleno sertão, encontrarmos missas e romarias que fazem o contraponto ideal ao clima de tensão e fuga da época da ditadura.
Combinando material de arquivo, fotos, manchetes de jornais, cartazes de época e vídeos que explicitam a caçada empreendida, reconstituímos uma das histórias mais surpreendentes e pouco conhecidas da resistência à ditadura no Brasil. Contamos essa história mantendo o clima de suspense que ela comporta. Ao mesmo tempo, a surpreendente realidade de hoje, com missas e romarias faz o contraponto pela participação democrática ao clima de tensão dos anos 70.