O InÍcio do fim
Lamarca era o inimigo público número 1 da ditadura. Capitão do exército, considerado um excelente atirador e militar, abandonara em 1969 o quartel com um caminhão cheio de armas e se juntara à VPR. Em 1971, decidiu, já no MR8, ir para a Bahia. Uma série de contratempos faz com que essa ida acabe detectada pela repressão. Num acampamento nos fundos da casa do pai de Zequinha, Lamarca se estabelece enquanto Yara segue para Salvador. As cartas que escreve para ela caem no Rio de Janeiro e demonstram que ele estava na Bahia.
Invasão
Juntando os dados do diário de Lamarca com outros, uma equipe do delegado Fleury, ligado ao esquadrão da morte, e que tinha se notabilizado como torturador de presos políticos, chega no dia 28 de agosto em Buriti Cristalino. Essa invasão é contada no filme em detalhes pelo único sobrevivente, Olderico Barreto, irmão de Zequinha. Buriti é hoje uma cidade abandonada. Moradores que estavam presentes também são entrevistados e contam que foram obrigados inclusive a trabalhar para a repressão. O pai de Zequinha, uma pessoa muito respeitada na região, é dependurado durante dias no coreto no centro da cidadezinha. Também está no filme uma entrevista com ele: o velho Zé Barreto feita há alguns anos por um cineasta de Brasília. Todos na pequena cidade foram ameaçados de morte se não cooperassem.
Com o tiroteio em Buriti, Lamarca e Zequinha fogem em direção a Ibotirama, às margens do Rio São Francisco. Essa fuga a pé fez com que Lamarca ficasse muito doente e Zequinha nos últimos dias chegou a carregá-lo nas costas. Esse trajeto é refeito no filme. Detectados em Ibopirama, eles voltam para a região de Brotas de Macaúbas. Ao todo, andaram a pé cerca de 300 quilômetros. Até que cercados pelos militares, chefiados pelo Coronel Nilton Cerqueira, foram assassinados nos arredores de Pintada.