A lenda e o memorial
Lamarca foi sepultado no Campo Santo de Salvador, em cova com número, mas sem nome. Sua morte foi seguida de um comunicado do diretor da Censura Federal a todos os meios de comunicação, em 22 de setembro de 1971: "Por determinação do presidente da República, qualquer publicação sobre Carlos Lamarca fica encerrada a partir da presente data, em todo o país. Esclareço que qualquer referência favorecerá a criação do mito ou deturpação, propiciando imagem de mártir que prejudicará interesses da segurança nacional."
Permanência
Até o final da ditadura, o medo se instalou na região e ninguém queria falar sobre os acontecimentos. As pessoas fingiam desconhecer a família Barreto. Com o tempo, Olderico Barreto, um dos irmãos sobreviventes, junto com outros militantes, comprou a terra em Pintada onde Lamarca e Zequinha foram assassinados. Ofereceram a terra para a Igreja, por meio do bispo da região, Dom Frei Luiz Cappio.
O Memorial dos Mártires foi edificado com recursos oriundos do Prêmio Kant de Cidadão do Mundo, outorgado, em 2009, pela fundação alemã ao Frei Luiz Flávio Cappio, hoje Bispo da Diocese de Barra e que dá entrevista no documentário, além de rezar a missa no memorial no dia 17 de setembro, dia dos assassinatos. Nesse dia é feriado tanto em Pintada como em Brotas de Macaúbas.


