nota da diretora

“Ana” pode ser chamado de um drama, em que se mistura ficção e realidade. O filme parte do conceito expresso por Virginia Woolf em seu livro “Um teto todo seu” de que a ficção pode conter mais verdade do que os fatos.

O filme pretende fazer um panorama das mulheres artistas latino-americanas nos anos 70 e 80 e, através de Stela, estabelecer uma ligação com o mundo de hoje. “Ana” poderia ser chamado de híbrido, pois ao mesmo tempo em que se apresenta na proposta estética como um documentário, e tem em todas as artistas dos anos 70 e 80 figuras reais bastante conhecidas e importantes em seus países, também propõe uma narrativa ficcional. Essa narrativa se expressa através de Stela, que será representada por uma atriz. Essa proposta, apesar de trabalhar com algumas referências (obras como Sweet and Lowdown (1999), de Woody Allen, com Sean Penn, Incidentat Loch Ness (2004), com Werner Herzog, Forgotten Silver (1995), de Peter Jackson, entre outras), aposta numa linguagem própria e na busca de referências latino-americanas. Trabalha com drama, e traz questões como o papel da mulher, a realidade política do continente, a situação das artes plásticas, o que o distingue desses filmes de referência, que em geral apostam na comédia. Pode ainda ser pensado como um road-movie, pois Stela vai à procura de suas obsessões em vários países.

A personagem Ana é negra e isso levou o filme também a discutir a questão do feminismo negro e o racismo no Brasil.